Muitos cursos comerciais e técnicos marcaram os mais de cem anos da escola Afonso Domingues. No fim, já era um recurso dos diversos serviços de assistência social. Para cursos tão exóticos como Técnicas Laboratoriais, eram encaminhados jovens em abandono escolar pelas CPCJ´s, ou à conta dos serviços de Reinserção Social. Acabou por ser, no fim, um espaço de encontro dos vários bairros da zona oriental de Lisboa.
Fechada em 2010, três anos depois esteve lá pessoal a curtir.
Quem procura o que fazer em Lisboa ,provavelmente muito antes de o saber, vai dar por si no eixo Intendente/Anjos. Dias Intendentes a propor cabarets (e a prometer Cais do Sodré), o Outjazz no Martim Moniz e até o Todos disse “Basta”: este ano vai fazer de cavalaria da gentrificação para outro lado.
Há uma tensão nos Anjos/Intendente/Mouraria que não se traduz necessariamente em pólos opostos. Para alguns é eleições, outros mercado imobiliário, ou apenas carregar caixotes porque a vida é madrasta. Muitos fazem disso tudo um joie de vivre, e estão bem em todo o lado.
No meio deste legado, surge agora na zona menos unanimista da cidade, a proposta de Faz-Me Festas Nos Anjos. É uma celebração construída de base, com o contributo de vários espaços, associações e colectivos, alguns com sede nos Anjos outros nem por isso, mas que gostam de lá andar.
Meses de preparação conduziram a um processo não dependente de políticas públicas, sem paternalismos ou publicidade gratuita no Fugas. O acesso ás actividades é gratuita. A Stress FM vai por lá andar e antes,a recomendar.
FAZ-ME FESTAS NOS ANJOS | PROGRAMA

One more abandoned space captured by GMURDA
ORÇAMENTOS PARTICIPATIVOS E A AUSTERIDADE
Aproxima-se o tempo de decisões dos Orçamentos Participativos. Cascais, embora tenha acolhido o processo apenas em 2011, já é considerado um OP exemplar e figura frequentemente em congressos, seminários,etc..Talvez por esse motivo, Cascais acolhe no mês de Julho um Curso Avançado em Democracia Participativa e o encontro anual: International Observatory of Participatory Democracy .
Desengane-se quem espera ver no OP de Cascais os fundamentos de democracia directa que tornaram o processo famoso a partir de Porto Alegre.
Em relação ao de Lisboa, o OP de Cascais, e observando a suas sessões públicas, apresenta um público participante bem mais variado, de todos os escalões económicos, sociais e culturais; com expressão nas propostas a votação.
Na primeira sessão pública da edição deste ano, realizada em São João do Estoril, duas das cinco propostas mais votadas foram de populações realojadas em Bairros da Galiza. Uma é a criação de hortas comunitárias, a segunda é a construção de um barco de pesca para um regresso da população ao mar. Em tempos de austeridade, recursos antigos são activados na grande cidade.
Muitas das histórias que temos contado neste Blog sobre o Rio de Janeiro falam das recentes alterações na cidade em função dos grandes eventos que se aproximam: Copa e Olimpíadas.
O Comité Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro tem servido como observatório dessas alterações. Leia AQUI o seu mais recente relatório: Mega Eventos e Violações dos Direitos Humanos no Rio de Janeiro, que traz-nos alguns apontamentos importantes sobre os movimentos do mercado imobiliário, privatização de espaços públicos e colectivos, moradia e reforço das medidas de controlo e segurança.
«Desde o momento em que foi anunciada a escolha do rio de Janeiro como sede das olimpíadas de 2016, a grande imprensa, políticos e diversos analistas têm ressaltado as oportunidades provenientes da ampliação dos investimentos na cidade, destacando as possibilidades de enfrentamento dos grandes problemas, como o da mobilidade urbana e o da recuperação de espaços degradados para a habitação, comércio e turismo, caso da área central. nesse contexto, a prefeitura da Cidade do rio de Janeiro desenvolve e anuncia o projeto da Cidade olímpica, com o objetivo de acabar com a cidade partida, integrar, levar dignidade à população.
Entretanto, o início das ações na direção desse projeto permite afirmar que a cidade avança em sentido oposto ao da integração social e da promoção da dignidade humana. Os impactos das intervenções urbanas são de grandes proporções, e envolvem diversos processos de exclusão social, com destaque para as remoções. Para se ter uma ideia, as informações disponíveis possibilitam estimar gastos da ordem de um bilhão de reais com desapropriações, apenas para a implantação dos brts – Bus Rapid Transit. »
1. O sistema nervoso
Entre todas as alianças possíveis no presente esquema politico-económico global, a mais desastrosa e improvável é a que une tacitamente as jovens classes criativas digitais e as idosas classes financeiras invisíveis.
Desastrosa para quem? Improvável porquê?
Uma aliança é um pacto entre duas ou mais partes, selado com vista a alcançar objectivos e a garantir interesses comuns. Uma aliança tácita baralha a definição: deixa aberta a possibilidade da ignorância, da habilidade, da fraqueza, ou das más intenções de uma das partes envolvidas. O presente caso é um exemplo raro de coincidência de todas estas possibilidades. Ao mesmo tempo que a Austeridade é apresentada e imposta como a única solução para a crise das dívidas soberanas, o capital de investimento é distribuído à velocidade da luz em bolsas de inovação criadas por produtos e serviços de software que destroem, ou encolhem significativamente, os mercados em que entram. Música, imprensa, literatura, educação, transportes, logística, contabilidade, funcionalismo, saúde, armas: áreas em que a hegemonia do código alterou de vez a equação produtiva e laboral.
A esquizofrenia não é aparente: é um método através do qual é possível ter uma recuperação económica sem criar emprego, é o único método que permite anunciar cortes orçamentais e celebrar o empreendorismo no mesmo fôlego. É uma relação feudal que resulta do actual contrato de financiamento da inovação no contexto electrónico do capitalismo global: uma sequência previsível de invenção de serviços gratuitos, disrupção de modelos vigentes, investimento de capital com base na capacidade de criar comunidades e necessidades, e a contagem decrescente para um retorno do investimento sob a forma de acções ou dinheiro vivo.
A cultura empreendedora do Silicon Valley (software) e a cultura micro-industrial dos Makers e dos hackerspaces (hardware), apresentadas e pensadas como a vanguarda de uma nova ética colaborativa e geradora de poderes, são também desta forma os instrumentos que permitem a materialização de uma sociedade em rede à escala planetária: algo que não é compatível com a lentidão de entidades analógicas como a democracia, o Estado-nação, as classes médias e o contrato social que as une.
A inovação digital é o sistema nervoso da Austeridade.
2. Trabalho digital, direitos políticos
Se todo o emprego é digital e se a internet está em toda a parte, todos os momentos da vida quotidiana são de trabalho. A sombra de dados gerada a cada movimento estende-se para além da actividade nas redes sociais ou na web: a mobilidade dos computadores celulares transforma a experiência diária na cidade num portfolio incessante de percursos, hábitos, comunicações, e escolhas. Os dados pessoais e colectivos são a unidade-base de uma economia digital total onde se esbate a fronteira entre a produção e o consumo e onde a partilha - esse valor previamente de nobres conotações - é agora o gesto feito moeda comum em permanente circulação.
Este trabalho imaterial define quem são os utilizadores e quem são os donos do software e das máquinas que regulam e materializam o mundo. Os contratos estabelecidos entre as duas partes, que apesar de fluídas tendem a assumir estruturas estáveis e a compôr-se de actores fixos, são incompreensíveis, arbitrários, e opacos. Os múltiplos Termos de Serviço que regem a relação entres utilizadores e donos dos recursos produtivos digitais são uma simplificada caricatura do que os movimentos laborais conseguiram à custa de lutas seculares chamar contratos de trabalho: a economia digital é, até agora, isenta de qualquer providência de direitos laborais e civis.
O código digital é inseparável da gestão e invenção da vida e por isso é parte central na redefinição das relações de poder nas sociedades em rede. A desigualdade estrutural na arquitectura da internet favorece necessariamente as maiores concentrações de servidores, os cabos de fibra óptica mais largos, os algoritmos financeiros mais obscuros, as bases de dados mais interligadas: os computadores não nascem todos iguais.
Uma justiça contemporânea exige a reconfiguração digital da política e a transformação política do universo digital.
3. Da inovação criativa à democracia emergente
A aceleração exponencial das indústrias de hardware e software, traduzida nas ideologias corporativas da Internet das Coisas e das cidades inteligentes, transforma a cidade do século 21 num ambiente animado por sensores. As possibilidades de diálogo entre objectos, lugares, pessoas e redes podem ser agora o contexto de uma cidadania permanente, em tempo real. A simples presença no espaço público é suficiente, nestas condições, para gerar um rasto de dados cujas utilizações criativas podem contribuir para a gestão da cidade, a elaboração de políticas, a vigilância, o mapeamento, a reprodução e o remix.
Tornar visível a multiplicidade dos sistemas operativos mediadores de percursos e actividades urbanas é a tarefa exigida a uma cidadania sensorial electrónica. Controlar e manipular os fluxos de dados produzidos pela rua é a tarefa de uma democracia emergente.
A relação de dependência entre as classes criativas e o capital de investimento é um obstáculo à realização da promessa de abundância contida na história e no destino do universo digital. A Austeridade é uma manobra de diversão para camuflar o desvio desse destino e aniquilar a justiça e os direitos sociais no processo.
Apenas a apropriação constante dos meios de produção, mediação e distribuição digital permite arriscar um equilíbrio e ousar uma oscilação digna entre a criatividade e a economia, entre o trabalho e a liberdade, entre o desejo e a política.
Fontes e Links
Bruce Sterling @ NEXT13, Berlin
Tiziana Terranova “Free Labor: Producing Culture for the Digital Economy”
Jaron Lanier - “Who Owns the Future?”
James Bridle - “Impersonating the Machine”
Rob Kitchin & Martin Dodge - CODE/SPACE: Software and Everyday Life
Hoje, na sala de arquivo dos Paços do Concelho, é lançada a revista Rossio, uma edição semestral digital dedicada a estudos de Lisboa. O lançamento de hoje terá a presenta de José Augusto França.
Editorial do número 0:
O rossio, espaço de fruição e encontro presente na maioria das nossas vilas e cidades é, desde a Idade Média, polo central de múltiplas vivências. A ele convergiam os principais eixos da urbe, e era no rossio que se realizavam feiras e mercados; era o rossio que servia de palco para manifestações religiosas de maior dimensão; e era nesse terreiro que ocorriam exercícios militares, julgamentos públicos e manifestações populares espontâneas.
Também em Lisboa, devota ou mundana, dos fidalgos e dos revolucionários, dos artistas ao povo humilde e à burguesia – todos ali se cruzavam – ainda que representando mundos diferentes, conceções antagónicas, costumes diversos… É neste sentido que optámos por chamar rossio a esta nova revista, entendida como espaço de apelo à memória e à história da Cidade, para onde todos confluímos e onde nos reencontramos para conversar ideias, expor pontos de vista e formas de viver, e interpretar uma cidade plural e multifacetada.
Em Dezembro de 1979, quando a «Revista Municipal» reinicia a sua publicação após alguns anos de interregno, Aquilino Ribeiro Machado escreve que“(…)fique registado tudo o que de mais significante se for produzindo para o conhecimento de Lisboa, quer remontando ao seu passado, quer apontando ao seu futuro, seja ele a objectiva explicitação das grandes linhas de força, subjacentes ao processo de transformação que nunca pára, seja ele a teorização ou mesmo a utopia de uma nova sociedade urbana que se deseja.” São objetivos que permanecem atuais, e que subscrevemos com a devida vénia, em memória ao primeiro Presidente da Câmara Municipal de
Lisboa a ser eleito de acordo com a constituição de 1976. Este outro rossio é uma revista aberta à participação dos que estudam e trabalham a Cidade – no seu passado, presente e futuro - e nas suas múltiplas vertentes. Estamos certos de que esta revista constituirá uma oportunidade privilegiada para a produção e divulgação de conhecimento da história e cultura de Lisboa, reforçando os laços de identidade dos que estudam, vivem e amam esta Cidade.
Jorge Ramos de Carvalho
Leia AQUI a número 0 da revista.
Mais um trabalho de georeferência de Twitts do colectivo Floatingsheep, desta vez baseado num Georgraphy of Hate dos Estados Unidos da America. Mapas a partir d o uso de palavras depreciativas (dyke,fag,homo,queer,chink,gook,wetback,nigger,spick,cripple) de carácter Homofóbico, Racista e Deficiência.
Este fim de semana, dias 10 e 11 de Maio na Bela Vista em Setúbal, Cinema de Rua, às 21h30 no pátio da bibioteca.
Sexta, dia 10 - Bela Vista
Sábado, dia 11 - Um Fim do Mundo (provavelmente num novo horário após o jogo Porto-Benfica)
Os visionamentos são no âmbito do Mês do Diálogo Intercultural de Setúbal.
By Matthieu Labaudinière, a French Bostonian based in Montréal. Quotes collected by Eric Beard.
“This is a cosmopolitan city, a much more European city than most North American cities… we are playing in a way that’s more similar to what people would like to have, looking more like Europe. I think [Impact] Montréal is reflecting a lot about what Montréal is. The team is reflected also because we are [composed of] Americans, Canadians, Europeans. Hopefully we can continue to represent Montréal very well.” - Patrice Bernier, a Québécois midfielder for the Montréal Impact.
Sempre me safei com o eléctrico 28 e naquele dia a sorte também não me faltou. A carteira estava recheada de notas e os cartões de crédito até assustavam. Era camone, como convém, senti assim como uma chama de alegria a arder por dentro, que me parecia dizer que não tinha feito nada de mal, que dinheiro era do que ele menos precisava. E eu por aqueles dias já estava a ficar nas lonas.
No dia a seguir, quando li no jornal que tinham roubado a carteira de um senhor da Troika, fiquei preocupado. Se calhar vão logo pensar em milhões de euros, quando não passou de 200 e picos, mais coisa menos coisa. Como tenho um currículo jeitoso e nesta Lisboa todos se conhecem e se chibam por dá cá aquela palha, fiquei um pouco preocupado e decidi dar de frosques por uns dias. (…)
A redacção trata, na primeira pessoa, a figura de um carteirista experimentado do electrico 28 e a sua emigração temporária para Bruxelas. É parte de um conto de Domingos Galamba - «A Saída dos Cérebros para o Estrangeiro» - incorporado na Colectânea Contos Capitais.
O livro é uma obvia exploração comercial bem sucedida. Não é um livro de viagens, mas poderia ser; não é um livro de ficções, mas poderia ser; não é um livro de escritores consagrados, mas poderia ser. Tem, na verdade um bocado de cada uma das soluções apontadas aludindo a vários critérios de selecção, com possibilidades de atracção de um público mais vasto.
Em Contos Capitais reúnem-se 30 cidades e o mesmo número de escritores, alguns bem conhecidos do grande público: Urbano Tavares Rodrigues, José Jorge Letria, Baptista-Bastos, Mário de Carvalho, David Toscana, António Sarabia, entre outros.
As cidades: Bissau, Lisboa, Havana, Berlim, Estocolmo, Ashitveba, Oslo, Bruxelas, São Tomé, Londres, Seul, Atenas, Tallin, La Paz, Catmandu, Paris, Montevideu, Praga, Buenos Aires, Cidade do México, Varsóvia, Madrid, Roma, Sarajevo, Brasília, Palenque, Luxemburgo, Washington, Damasco e Dublin.